segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

                                                  Anonimo

 Eu estava sentada em uma mesa no interior do café onde eu costumava ir todas as manhãs antes de ir caminhar pelo parque. Perto da janela eu observara os carros passarem. Quando o garçom (Harry, um rapaz muito simpatico por sinal) se aproximou e disse-me: 
- Senhorita Meg, este bilhete é para a senhora.
- Pra mim? - perguntei um pouco surpresa. 
Antes mesmo de me responder, ele se virou em direção em outra mesa. Abri o bilhete consumida pela curiosidade e com essas palavras estava escrito:
    Você fica linda de branco
  Olhei ao redor, tentando deduzir quem poderia ser o autor da gentileza. Panoramicamente, vi um casal de idosos perto da porta, três adolescentes fazendo uma mistura nojenta com o resto de hambúrguer e um senhor sentado um pouco isolado, com uma feição um pouco fatigada. Logicamente só poderia ser ele, mais não custei a acreditar! Acho que não... É não era ele, seu rosto e a forma brusca com a que ele devorava aquelas rosquinhas com a aparência dormida, não absolutamente ele não era o autor da gentileza. 

 Terminei de tomar meu capuccino, deixei o dinheiro dentro do cardapio e sai. Na manhã seguinte, la estava eu na mesma mesa, a observar a vida tão monotona e sem sentido que fazia parte de mim. Então Harry o garçom disse:
- Olá senhorita Meg, o de sempre?
- Ah, oi Harry, sim o de sempre. 
 Sem muita demora Harry trouxe meu capuccino e junto um bilhetinho. Outro? É eu também fiz a mesma pergunta quando vi. Olhei ao redor e abri o bilhete. Nele estava escrito: 
      Ja pensou em mudar o pedido? Quem sabe waffles.
Eu realmente, estava surpresa. Olhei descretamente aos redores do café e novamente não achei ninguém que se encaixasse no perfil do autor do bilhete. Durante uma semana, o mesmo episodio se repetiu, todas as vezes que Harry vinha trazer meu capuccino, como aqueles brindes de lojinha de brinquedos em época de natal o bilhete vinha sempre acompanhado a xícara. 
  
   - Não te vejo sorrir a dias. 
   - Por que sempre sozinha? 
   - Seu perfume é tão agradavel como sua presença.
   - Deveria sorrir mais vezes. 
   - Você é simplismente encantadora.


E por incrivel que pareça, nunca havia ninguém ali que tivesse o perfil da pessoa que por algum motivo me observava como eu observava pela janela minha propria vida passando e me esquecendo. Então, esperei Harry vir me perguntar se eu desejava mais alguma coisa, pra perguntar quem e porque estava me enviando aquilo. Então Harry veio.

- Mais alguma coisa, senhorita Meg? 
- Não, muito obrigada Harry. Harry na verdade sim, eu gostaria de saber... É... Quem esta me mandando esses bilhetes? Por que? 
- Ah, eu achei que você não fosse perguntar nunca. 
- Então você estava esperando que eu perguntasse? Não estou entendendo. 
Harry se sentou na mesa, no acento da frente e sorriu.
- Claro que sim! É que Meg... Sou eu que escrevo os bilhetes. 
- Você Harry? - perguntei surpresa -
- Sim, eu. É que Meg... faz um tempo que eu noto você mais de uma forma diferente, você nunca olhou pra mim... tanto é que ja faz um ano que eu estudo na mesma universidade que você e até hoje você nunca me perguntou como eu ando nos estudos. Por esse motivo, passei a escrever os bilhetes, talvez uma forma covarde e estúpida de dizer coisas que eu sinto vontade de dizer quando a vejo, mais não tenho coragem alguma.
  Me calei, fiquei sem ação... por alguns segundos meu corpo ficou paralisado estudando cada traço do rosto de Harry. Apesar de ser tão obvio... não era obvio. 
- Harry... Como eu não pude perceber?

- Me faço essa pergunta todos os dias, te dei tantos sinais. 
- Mais Harry... você... - exitei - 
- Sim Meg, desde a primeira vez que você entrou aqui... eu senti que você era especial. 
- Harry, por que não me falou? 
- Eu sei sou um estupido. Como eu pude ser tão imbecil.
- Não Harry, você não é estupido. 

- Não?
- Claro que não. Nunca ninguém me notou, não do jeito que você me notou. 
- É porque nunca ninguém te amou como eu te amo. 
- Harry - disse sorrindo -
- Guardo esse sentimento comigo a tanto tempo, você não sabe o quanto é bom poder dizer isso pra você. Eu te amo Meg, eu te amo. 
- Harry... você está...
Interrompeu Harry.
- Eu sei, eu estou louco. Sei que até alguns minutos atrás você não sabia nem quem eu era. Alias sabia, o Harry o garçom do café. Mais por favor me deixe ficar perto de você. 
- Harry você é extraordinario. Mas vamos com calma, afinal não é toda hora que o garçom do café que você frequenta se declara pra você. - risos - 
- Mais calma? - risos - Que tal waffles? 
- Vi que você gosta mesmo de waffles. - risos - 

 As coisas boas passam sempre despercebidas. Quanto mais valor elas tenham, menos elas significam diante de seus olhos. 


          

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